Sexta-feira, 26 de Junho de 2009
Assine este abaixo-assinado: Lei do Silêncio Residencial
Este abaixo assinado será enviado para as esferas municipais, estaduais e federais de nosso Legislativo, estimulando-os à criação de uma "Lei do Silêncio Residencial", independente de horários, advogando a obrigatoriedade das festas em playgrounds, residências e outros espaços não-comerciais utilizarem apenas MÚSICA AMBIENTE.
Quinta-feira, 4 de Junho de 2009
330 Livros Grátis
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Quarta-feira, 20 de Maio de 2009
Ahhh, Fala Sério
Concordo totalmente quando críticos das cotas para negros carentes afirmam que, ao invés das cotas, devemos dar "educação e cultura para todos"... Entretanto, enquanto isso não acontece, o que fazemos com os milhões de estudantes negros filhos da miséria neste país?
Proponho um rápido exercício de percepção. Olhem para fora, através da película de insulfilm de seus carros refrigerados, e verifiquem quantos negros encontram de terno e gravata pelos tribunais, pelas cadeiras das universidades, pelos meios de comunicação, pelas salas de médicos de hospitais (quantos dentistas negros já lhes atenderam?). Não encontraram muitos? Então observem os mendigos, os presidiários, as filas de hospitais públicos e, naquele vôo panorâmico de helicóptero que fizerem para mostrar o Rio, Cidade Maravilhosa, a algum amigo estrangeiro em visita, sobrevoem os campinhos de futebol de terra das favelas cariocas. Encontraram os negros deste país?
Agora visitem de forma onisciente um Departamento de Recursos Humanos de uma empresa privada e observe um candidato negro e um candidato branco com a mesma formação, experiência e capacidade concorrendo a uma vaga para qualquer tipo de cargo. Qual terá, em sua opinião sincera, mais chances de êxito?
Neste contexto, vocês acham que basta dizermos a esses jovens:
- "Olha, como a solução correta não é a de cotas, é dar educação e cultura para todos, vocês continuem na miséria na qual já aprenderam a viver, que, um dia, nós vamos tornar o ensino público excelente, a ponto de poder concorrer com os belos colégios informatizados e climatizados da Zona Sul e Barra da Tijuca. Tudo bem que umas 3 gerações ainda serão condenadas a permanecer na exclusão intelectual, mas o que importa é que nós, agora, começamos a descobrir que temos que talvez pensar em algo que, em alguma medida, possa, quem sabe, talvez,a longo prazo, dependendo de certas variantes, provavelmente, solucionar a questão!!!"
É isso? Condenar gerações porque a classe média/alta só agora, que viu seu filho perder a vaguinha gratuita na universidade pública para um negro pobre, descobriu a solução milagrosa da recuperação do ensino público e o discurso da igualdade entre todos os cidadãos?
Expressando minha opinião, recorro a um ilustre filósofo de Belford Roxo que, em resposta a esses questionamentos, depois de muita reflexão e debate íntimo, diria, de forma brilhante:
- Ahhh, fala sério!!!
Sexta-feira, 1 de Maio de 2009
"Soja é que nem negro, uma vez que nasce é difícil de matar"
| Comentário: A frase acima foi dita por um professor em sala de aula. Ele foi condenado por racismo. A Universidade tentou defendê-lo dizendo que suas frases não carregavam sentido pejorativo. Deve ser porque, na lógica estúpida dele, comparou o negro a um produto valioso: a soja. Professor universitário é condenado a pagar multa por racismoSegundo o MPF, ele teria feito considerações preconceituosas em aula. Do G1, em São Paulo A 3ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) condenou, nesta terça-feira (28), um professor da faculdade de Agronomia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) a pagar multa civil por ato de racismo. O professor foi denunciado em ação civil pública pelo Ministério Público Federal (MPF) por ter feito em aula comentários racistas. Ele poderá recorrer da decisão.
Defesa O acusado se defendeu alegando ter dito as frases sem intenção pejorativa e que valera-se de ditado corrente na zona rural, costumeiro em agricultores de origem italiana, que teria um conteúdo positivo, relativo ao vigor da raça negra. Entretanto, conforme alunos que testemunharam o fato, ele teria se retratado ao final da aula e em aulas posteriores tentado intimidar o aluno ofendido.
De acordo com o TRF, o relator do processo, juiz federal Roger Raupp Rios, entendeu que "é inequívoca a violação dos princípios da legalidade, da impessoalidade e da moralidade". Segundo o magistrado, um professor com o grau de intelectualidade do réu não teria como ignorar o conteúdo racista nas expressões utilizadas. |
Quinta-feira, 30 de Abril de 2009
Jovem é preso acusado de racismo pela internet no Paraná
CURITIBA - Um jovem de 21 anos foi preso nesta quarta-feira em Rolândia, norte do Paraná, suspeito de praticar o crime de racismo pela internet. A Polícia Federal (PF) de Londrina cumpriu quatro mandados de busca e apreensão e vai investigar a prática do crime. Policiais apreenderam materiais que podem comprovar a prática de preconceito racial e regional.
- Geralmente as pessoas utilizam subterfúgios para não serem identificados. Mas esse rapaz não tomou cuidado - afirmou o delegado da PF, Evaristo Kuceki.
Segundo o delegado, o rapaz, que não teve o nome divulgado porque o inquérito corre em segredo de Justiça, teria confessado a prática.
- Ele já nos confessou e disse que a princípio seria uma brincadeira - contou Kuceki.
As investigações apontaram que o jovem acessava a internet por meio de computadores de quatro lugares diferentes, entre casas de parentes e uma lan house. O suspeito pode pegar de dois a cinco anos de reclusão, previstos no artigo 20 da lei 7716/1989, se for confirmada a prática do crime.
- É uma brincadeira muito séria e que pode levar à prisão - afirmou o delegado.
De acordo com ele, serão analisados quatro discos rígidos, um pen drive e um notebook, apreendidos pela PF.
Quinta-feira, 19 de Fevereiro de 2009
A lista dos partidos mais corruptos
Comentário: interessante estes dados recuperados na web. Entre os grandes, o primeiro colocado em corrupção é o PMDB (com 30 parlamentares citados). Depois vem o PSDB (com 20), o DEM (com 19) e finalmente o PT (16).Um terço dos parlamentares tem problemas com Justiça e Tribunais de Conta, aponta Projeto Excelências15/06 - 09:50, atualizada às 16:21 15/06 - Nara Alves, repórter iG no Rio RIO DE JANEIRO – Cerca de um terço dos parlamentares brasileiros, entre deputados e senadores, tem problemas com a Justiça e com Tribunais de Contas. É o que aponta a pesquisa realizada pelo Projeto Excelências, da organização não-governamental Transparência Brasil. O site do projeto, hospedado no Portal iG, disponibiliza as ocorrências com o nome e a legenda de cada representante. "É deprimente que haja esse número exagerado de gente com ocorrências em processos criminais", avalia o diretor-executivo da ONG, Cláudio Abramo.
Dos 80 senadores, 28 (ou 35%) são citados em ocorrências. Na Câmara dos Deputados, 160 dos 513 (ou 31%) estão envolvidos em algum escândalo ou denúncia. Na Assembléia Legislativa de São Paulo, a porcentagem sobe para 39%, atingindo 37 dos 94 deputados estaduais. A maior parte das ocorrências são processos criminais por peculato e compra de votos, processos em Tribunais de Contas por multas e licitações irregulares. "É espantoso que os partidos políticos dêem guarita a esses parlamentares. Como aceitam candidatos assim?", questiona Abramo. Para o diretor-executivo da ONG, as legendas deveriam proibir um político de se candidatar a um cargo público enquanto estivesse com problemas na Justiça ou com Tribunais de Contas. "Não é uma questão legal, mas deveria ser uma questão dos partidos", sugere. Na Câmara O diretor-executivo da ONG Transparência Brasil ressaltou a gravidade de algumas das acusações envolvendo parlamentares. "Eles respondem a processos gravíssimos na Justiça", afirmou. O deputado Asdrúbal Bentes (PMDB-PA), por exemplo, é acusado de fazer laqueaduras em troca de votos. Já Beto Mansur (PP-SP) responde por manter trabalho escravo. Paulo Magalhães (DEM-BA) responde por lesão corporal. Muitos são investigados, ainda, por denúncias feitas pelas Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) como as do mensalão e sanguessuga. Os deputados Neudo Campos (PP-RR) e Paulo Maluf (PP-SP) são um dos que mais apresentam ocorrências com a Justiça, com acusações de corrupção, formação de quadrilha e peculato. Abelardo Camarinha (PSB-SP) é indiciado por licitação ilegal e responde a diversas ações no TRE-SP. Já Alexandre Silveira (PPS-MG) responde a diversas ações e deve esclarecimentos ao Tribunal de Contas da União por irregularidades em sua passagem pelo Departamento Nacional de Infra-estrutura e Transportes (Dnit). O parlamentar Antonio Thame (PSDB-SP) tem 18 contratos sob investigação em Piracicaba, onde foi prefeito. Outros ex-prefeitos, Antonio Carlos Pannunzio (PSDB-SP), de Sorocaba, e Francisco Rossi (PMDB-SP), de Osasco, Severiano Alves (PDT-BA), de Saúde, Zé Gerardo (PMDB-CE), de Caucaia, e Reinaldo Nogueira (PDT-SP), de Indaiatuba, também repondem por crime de responsabilidade. Jader Barbalho (PMDB-PA) responde a quatro ações no STF. O ex-ministro dos Transportes Eliseu Padilha (PMDB-RS) reponde a um processo sigiloso no STF. A lista cita, ainda, Clodovil Hernandes (PTC-SP), indiciado por crime ambiental. No Senado Entre os senadores, as legendas com mais políticos citados são PMDB, com nove parlamentares, PSDB, com seis, e o DEM, com quatro. O PTB tem três senadores listados, o PR tem dois. Já PSB, PP, PCdoB e PT têm um. Os senadores mais comprometidos com a Justiça são Cícero Lucena (PSDB-PB), com processos no Supremo Tribunal Federal (STF) por crimes contra a administração pública, Expedito Júnior (PR-RO), com ações por compra de votos, Fernando Collor (PTB-AL), por peculato, corrupção e crime contra administração pública, João Ribeiro (PR-TO), por manter trabalho escravo e Raimundo Colombo (DEM-SC), por improbidade administrativa. Já o senador Wellington Salgado (PMDB-MG) deve ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Os partidos que mais contam com deputados federais comprometidos com a Justiça são: PMDB, com 30 nomes, PSDB, com 20, DEM, com 19, e PT, com 16. As demais legendas somaram 69 parlamentares, com mais ocorrências no PP, PTB, PR e PDT. As ocorrências mais recorrentes são de irregularidades acusadas pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) e Tribunal de Contas do Estado (TCE) de origem do parlamentar, além de processos no Superior Tribunal de Justiça (STJ) por crimes contra administração pública. |
Quarta-feira, 4 de Fevereiro de 2009
O perigo do discurso da "flexibilizacão nas leis trabalhistas"
| Este artigo é de 2003. A Europa inteira passou por esta flexibilizacão. Os EUA já tinham aderido há tempos. O que aconteceu? Um monte de subempregos, que escondem o verdadeiro alcance da tragédia social. Na Franca, por exempo, em jornadas parciais, sem garantias trabalhistas, estão 16% dos franceses, que vivem com menos de um salário mínimo...Agora com a tal crise...o discurso volta de novo a infestar a mídia (lógico, grupos de mídia são empresas, e alguns jornalistas fazem o jogo dos patrões). A convulsão social que se avizinha na Europa vem dessa "promessa de que com meio emprego todos estariam empregados". Promessa que foi por terra este ano. DESEMPREGO Precariedade, subemprego e pobreza trabalhadoraNum contexto de desregulamentação do mercado de trabalho, os assalariados em tempo parcial, mais numerosos que os desempregados, são os protagonistas do problema do subemprego (ou emprego atípico) e da pobreza, que atinge sobretudo as mulheres. Nos Estados Unidos, o número de desempregados aumentou cerca de 5% entre janeiro e abril de 2003. Na Espanha, o desemprego atinge 11,9% da população economicamente ativa – o recorde europeu. Na Alemanha, chega a 10,7% e, na França, a 9,3%. E mais, essas cifras minimizam a realidade. Paralelamente, a imposição do trabalho em tempo parcial, os horários atípicos estão cada vez mais presentes e, atualmente, cerca de um assalariado em cada seis recebe uma remuneração inferior ao salário mínimo, na França. Os trabalhadores pobres – trabalhadoras, na maioria das vezes – já não são uma exclusividade norte-americana. No inventário dos danos colaterais do desemprego, a desestabilização multiforme das condições de emprego (trabalho temporário, contratos por tempo determinado, estágios de todos os tipos), aparece como uma espécie de evidência, conhecida e reconhecida há muito tempo. Em compensação, de modo geral, o subemprego não aparece entre os males do desemprego. Porque se confunde, em parte, com o trabalho em tempo parcial que os estereótipos culturais qualificam sistematicamente de "bom para as mulheres". Na verdade, é impressionante ver como o trabalho em tempo parcial continua, com muita freqüência, sendo excluído de qualquer reflexão sobre emprego e desemprego. O assunto é relegado ao capítulo da diversificação do trabalho e, o que é pior, ao título "conciliação entre vida profissional e vida familiar", mas raramente abordado sob o ângulo da escassez de emprego. A diversidade do "emprego atípico"O subemprego não aparece entre os males colaterais do desemprego. Isso porque se confunde, em parte, com o trabalho em tempo parcial, "bom para as mulheres"No entanto, disfarçado no discurso sobre a redução da jornada de trabalho (RTT, conforme a sigla francesa), o trabalho em tempo parcial constitui o pilar do subemprego. Este encontra-se muitas vezes escondido na expressão "empregos atípicos", expressão genérica que engloba todos os tipos de emprego que, de uma maneira ou de outra, violam a norma do trabalho relativa ao contrato por tempo indeterminado e em tempo integral. Encontram-se contratos por tempo determinado, o trabalho temporário, os contratos de auxiliares e os estágios diversos – eufemisticamente denominados "formas particulares de emprego" –, assim como o trabalho em tempo parcial que, muitas vezes, corresponde a uma situação em que se trabalha menos do que se gostaria (leia, nesta edição, o artigo, de Margaret Maruani, "Empregos atípicos"). Em forte alta nos últimos 20 anos, os empregos atípicos representam ¼ dos empregos1. Evidentemente, eles abrangem situações muito heterogêneas: o trabalho temporário, conhecido pela precariedade das condições que oferece, às vezes inclui também assalariados muito qualificados; alguns contratos por tempo determinado (CDD, conforme a sigla francesa), constantemente renovados, podem se revelar mais estáveis que contratos por tempo indeterminado (CDI, também conforme a sigla francesa) que levem à demissão. Tempo parcial e subempregoEm alta nos últimos 20 anos, o emprego atípico corresponde a 25% do postos, abrange situações heterogêneas e inclui muitos assalariados qualificadosPor isso nem sempre se podem identificar os empregos temporários com a precariedade, mesmo que isto se mostre, de modo geral, justificado. De uma maneira ou de outra, essas diversas formas de emprego não estão somente "fora das normas". São caracterizadas também por uma instabilidade que as assimila à precariedade e que as aproxima do desemprego. Pois são freqüentemente as mesmas pessoas que oscilam entre contratos por tempo determinado, trabalho temporário, bicos e desemprego. São freqüentemente jovens, pouco qualificados2 e visivelmente em instabilidade permanente. Mas eles não são os únicos a trabalhar sob o rótulo da instabilidade. Os assalariados e assalariadas em tempo parcial fazem parte também do panorama da desregulamentação do mercado de trabalho. Raramente inscrito no âmbito da instabilidade do emprego, o tempo parcial está, no entanto, no cerne do problema. É aí, entre assalariados e assalariadas que trabalham doze, quinze ou vinte e cinco horas por semana3, que se encontra o maior número de pessoas em subemprego, ou seja, as que trabalham menos do que desejariam. As discussões sobre as 35 horas suprimem totalmente o problema: como enfocam todas as pessoas que aspiram trabalhar menos (que, efetivamente, são inúmeras), esquecem as que querem trabalhar mais e não conseguem. As que têm necessidade de um salário integral, mas somente encontram um emprego de tempo parcial. Atividade feminina "à francesa"Assalariados em tempo parcial fazem parte do panorama da desregulamentação do mercado de trabalho na medida em que concentram o subempregoOs debates sobre essa questão são uma síntese de má fé. Ao identificá-la a um "tempo escolhido", ao apresentá-la como uma arte de viver que permite a "conciliação entre vida familiar e vida profissional", apaga-se o problema do subemprego, apaga-se a questão dos baixos salários. E a questão é atribuída às mulheres. Na França, como em toda a Europa, o trabalho em tempo parcial é apanágio das mulheres. Elas representam mais de 80% das pessoas que o desempenham. Mas, ao contrário de um grande número de vizinhos europeus, só recentemente surgiu na França. Seu desenvolvimento data precisamente do início da década de 80: atualmente, o número de pessoas que trabalha em tempo parcial – e que em 1980 era de cerca de 1 milhão e meio de pessoas – passou para pouco menos de 4 milhões. Ou seja, o trabalho em tempo parcial não constitui, na França, um componente do desenvolvimento da atividade feminina, pois, desde o início da década de 60, as mulheres entraram no mercado de trabalho em tempo integral. Essa constitui uma das características fortes do que se poderia denominar crescimento da atividade feminina "à francesa". O trabalho em tempo parcial ganhou força há uns 20 anos, devido à crise de emprego e sob o estímulo de políticas de grandes incentivos: ajudas financeiras aos empregadores para a criação de emprego em tempo parcial, abatimentos de cotizações sociais etc. Pressões de ordem ideológicaHá 20 anos, com a crise do emprego, cresceu a atividade feminina "à francesa": mais de 80% dos que trabalham em tempo parcial são mulheresObviamente, esse fenômeno abrange realidades sociais extremamente diversificadas. Para algumas mulheres, reduzir a jornada de trabalho é uma decisão individual. Para outras, cada vez em maior número, trata-se de uma lógica inteiramente diferente. Na verdade, há 20 anos, o trabalho em tempo parcial desenvolveu-se em alguns setores (comércio, hotelaria, restaurantes, serviços para particulares e para empresas) e em uma categoria profissional particular: mais da metade das pessoas neles empregadas são mulheres. Caixas, vendedoras, faxineiras... a maioria não escolheu ocupar um posto em tempo parcial. Prefeririam ter um emprego de algumas horas a ficarem desempregadas. Muitas delas trabalham por um salário bem inferior ao salário mínimo mensal e com horários fracionados e alternados. Está na hora, então, de acabar com essa idéia de "escolha". Tempo escolhido, tempo submetido: apesar das aparências, a questão não é pertinente. O que significa "escolher", quando as pressões são tão fortes que não existem outras soluções? Quando os empregos propostos jamais são de tempo integral? Quando as obrigações da vida familiar se tornam extremamente complexas? As pressões não são apenas de ordem econômica e doméstica. São também – e intensamente – ideológicas: o trabalho em tempo parcial foi construído com todas as peças como a forma de emprego ideal para as mulheres. Expansão dos baixos saláriosPortanto, não se trata de saber se o trabalho em tempo parcial foi um pouco, muito, apaixonadamente ou de maneira alguma escolhido, mas de considerar suas conseqüências. Ao longo dos anos, tornou-se o símbolo da divisão sexual do mercado de trabalho. E segue a mesma dinâmica, tornou-se o motor da pobreza laboriosa. Na verdade, quem fala de trabalho em tempo parcial, fala, é evidente, de salários parciais. No entanto, durante muito tempo, o assunto continuou tabu na França. Como se os working poor fossem uma exclusividade norte-americana. Na França, a baixa remuneração está em expansão: 3,4 milhões de pessoas trabalham por salários inferiores ao mínimo. Entre elas, 80% são mulheres.Foi preciso esperar o final da década de 90 para ter dados precisos e para que emergisse, enfim, a questão dos baixos salários e da pobreza laboriosa. As pesquisas de Pierre Concialdi e Sophie Ponthieux4 o demonstram: na França, desde então, 3 milhões e 400 mil pessoas trabalham por um salário inferior ao SMIC (salário mínimo interprofissional de crescimento) mensal. Entre elas, 80% são mulheres. Desde o início da década de 80, os baixos salários (menos de 838 euros por mês, ou seja, cerca de 2 940 reais) estão em plena expansão. Correspondem a 11% dos assalariados e assalariadas em 1983 e a 17% em 2001. O crescimento dos salários baixíssimos (menos de 629 euros, por volta de 2 200 reais), foi ainda mais rápido: de 5% dos(as) assalariados(as) em 1983, passaram para 9% em 2001. Estatística oficial maquia o assalariado pobreEsse rápido aumento do número de salários inferiores ao salário mínimo legal está estreitamente ligado à multiplicação dos empregos em tempo parcial, que atingem 80% daqueles que têm baixos salários. Paralelamente ao crescimento desse tipo de emprego, observa-se, então, o delineamento de um processo de pauperização: o desenvolvimento de uma margem de assalariados(as) pobres, ou seja, de pessoas que não estão desempregadas, nem são "excluídas", nem "recebem assistência", mas que trabalham sem conseguir ganhar sua subsistência. Os que empregados em tempo parcial são 80% dos que têm baixos salários - eles não estão desempregados, mas não conseguem ganhar sua subsistência.Essas mulheres, em sua maioria, são apagadas da contabilidade oficial dos working poor franceses. Por um lado, o Instituto Nacional de Estatística e de Estudos Econômicos (Insee) mantém, em sua definição de trabalhadores pobres, o limiar de 50% da renda mediana (ou seja, 534 euros, aproximadamente 1 870 reais, em 1996), e avalia seu número em apenas 1 milhão e 300 mil5. Por outro lado, ao optar por se basear em uma definição familiar (e não individual) de rendas, as estatísticas oficiais consideram 60% dos homens entre eles. Desemprego feminino demais para chocar?Esse cálculo exclui uma grande parte dos baixos salários determinados pelo subemprego. Subestima a pauperização de uma parte do assalariado – e principalmente do assalariado feminino. No entanto, é preciso se render às evidências: em nosso país, os(as) assalariados(as) pobres são mais numerosos do que os desempregados. Foi preciso esperar muito tempo para que esses dados se tornassem públicos. Sem dúvida, será preciso esperar ainda mais tempo para que apareçam no debate social. Se não é o caso, aliás, longe disso, de um desconhecimento dos fatos e das cifras, o esquecimento do sexo do emprego, que caracteriza a maioria das análises econômicas, é de deixar qualquer um desconcertado. Essa estranha falha de memória leva às perguntas: a pobreza dos trabalhadores seria extremamente feminina para ser chocante? O subemprego seria menos grave quando afeta o segundo sexo? Tudo em nome do desempregoÉ em nome do desemprego que se precariza o emprego e que se lançam algumas categorias na inatividade obrigatória, no subemprego e baixos saláriosA França do início do século XXI conta com 3 milhões e 400 mil pessoas que ganham menos que o salário mínimo. Mas, calma: não são trabalhadores pobres. A maioria é constituída por mulheres que procuram emprego para ter um salário parcial – um salário suplementar... Provavelmente, é aí que é preciso buscar a origem desse discernimento suspeito: uma tolerância social vergonhosa. Revelar os números do desemprego não é algo evidente mas, pelo menos, sabemos disso. Em compensação, o subemprego e a pobreza dos trabalhadores continuam sendo a face escondida da crise de emprego. Pois o desemprego não é apenas a falta de emprego para um número considerável de pessoas. É também um meio de pressão sobre as condições de trabalho e de emprego de todos aqueles que trabalham. É em nome do desemprego que se precariza o emprego e que se lançam algumas categorias de assalariados(as) na inatividade obrigatória ou no subemprego, que se redefinem os ritmos de trabalho e que se impõe a aceitação de salários inferiores ao mínimo legal. (Trad.: Wanda Caldeira Brant) 1 - De acordo com as cifras apresentadas por Benoît Ferrandon, em "Population et emploi", Les Cahiers Français n° 304, Paris, setembro-outubro de 2001. |
Sábado, 31 de Janeiro de 2009
ORKUT: Racismo tem divulgação disfarçada
Comentário: Matéria perdida na rede. Interessante. Reporter SociaL.29/08/2005 17:32h ORKUT SEM LEI - Racismo tem divulgação disfarçada O controle de comunidades assumidamente racistas no Orkut vem ocorrendo com um certo sucesso. Diante da vigilância dos negros, ou mesmo da Justiça, elas são obrigadas a sobreviver com perfis falsos e duram poucos dias ou semanas. Mas o racismo prossegue a todo vapor no sítio com 6 milhões de brasileiros: ele aparece nas comunidades contra "manos" e disfarçado de brincadeira em comunidades que em tese não propagam a discriminação. Em muitos casos, o preconceito tem nome e sobrenome. A carioca Alessandra Salles participa de uma discussão na comunidade Eu odeio a Preta Gil sobre "qual bicho ela parece". "Saca só o nariz na foto da comunidade, agora olhe a boca dela... na hora eu lembrei de um gorila", afirma. Vanessa Siqueira também participa e compara a cantora a um "macaco". A filha do Ministro da Cultura é comparada por 53 brancos, dois negros e quatro pessoas sem foto a inúmeros outros bichos, em comentários que reproduzem o rebaixamento histórico dos afrodescendentes à condição de animais. Essa comunidade tem mais de 20.000 pessoas, quase o mesmo número da Anti-cotas Raciais. Um direito legítimo, o de ser contra as cotas. Mas que vira porta de entrada para avaliações como a do carioca Eduardo Chueri: "Na cultura negra balançar a bunda é legal. Se você é um negro preguiçoso, então é um cara maneiro e sangue bom. O dia que os negros começarem a pensar como japoneses, vão notar o como é fácil passar no vestibular." Eles odeiam "manos" Mas os racistas utilizam como maior recurso a criação ou utilização de comunidades contra "manos". Esse termo está ligado a jovens de periferia, em boa parte adeptos da cultura hip-hop, mas é utilizado pelos jovens de classe média em relação aos pobres e negros que, segundo eles, "invadem os shoppings". Nas fotos de apresentação dessas dezenas de comunidades aparece sempre um jovem negro. Algumas delas, como Mate um mano/plante uma árvore, pregam explicitamente a violência. Em Eu odeio as Minas Mano, o paulista Fernando Rabello avalia: "O mais engraçado das minamano é quando elas vão sair e usam aqueles cabelos cheios de creme. Ô racinha pra ter cabelo ruim!" Michael Pires, que declara ter 19 anos, escancara, na comunidade com mais de 30.000 pessoas: "Sou preconceituoso, sim. E quero que todos os manos vão se foder." Em uma mídia com 6 milhões de pessoas, o preconceito se espalha. Há comunidades com nomes como Manos estragam Sorocaba e Manos estragam Poços. Poços, no caso, é a mineira Poços de Caldas. Mas são os paulistas que estão à frente da discriminação no Orkut. Bauru, Rio Claro, São Carlos, Valinhos e Botucatu são outras cidades do interior paulista onde milhares de jovens declaram seu preconceito contra os "manos" e discutem "como acabar com eles". A comunidade sorocabana tem quase 2.000 membros. Há um desejo recorrente de ver "os manos fora dos shoppings". Na verdade, mais do que isso. "Devíamos fazer que nem os nazistas", diz na comunidade Eu odeio os manos de shopping o título de um tópico postado por P. R. C. Junior, de Marília (SP). Ele não tem o nome divulgado aqui por aparentemente ter menos de 18 anos. "Fiquei pensando em como essa raça miserável é um soco na cara da sociedade... aí me veio na cabeça que eles podem ser o que está atrasando o Brasil, assim como Hitler pensou que os judeus estavam acabando com a economia alemã..." O jovem prossegue em sua avaliação: "Mas no caso de Hitler ele estava errado... no nosso caso é verdade! Pense bem: são eles que assaltam, traficam drogas, picham muros, destroem patrimônio público e quando são pegos pela polícia somos nós que temos que pagar a estadia dos vagabundos na prisão. Imaginem se pegassem toda essa raça e começarem a jogar na câmara de gás? Sei que estou sendo utópico, mas seria uma bela solução." Nove outros internautas concordaram com Junior. Influência do dono Os moderadores influenciam diretamente o andamento das comunidades. A começar da escolha das fotos. Uma das descrições é repetida em vários fóruns. "Se você é que nem eu e quer exterminar essa raça entre na comunidade e discuta sobre esse lixo que são os manos", escreve o dono da comunidade Eu odeio manos. O dono do fórum BS- Black Service (em referência à expressão racista "serviço de preto") é o mesmo de Mate um mano/plante uma árvore. Em Eu odeio o Alexandre Pires, o moderador avisa que ali não há espaço para racismo mas mesmo assim há várias tentativas nesse sentido – como um tópico na quinta-feira, onde o cantor, a exemplo de Preta Gil, é também comparado a um macaco. Foi por ter supostamente chamado de "macaco" o jogador Grafite, do São Paulo, que o argentino DeSabato foi preso este ano após jogo no Morumbi. Em junho, o promotor Christiano Jorge Santos, denunciou em São Paulo Leonardo Viana da Silva, de 20 anos, por racismo praticado no Orkut. No seu caso, o perfil dizia: "Odeio preto". Segundo Santos, Silva confirmou ser racista no depoimento à promotoria. O crime praticado através de meio de comunicação prevê pena de reclusão de 2 a 5 anos, mais multa. Como ele fez quatro depoimentos racistas no Orkut, foi denunciado cinco vezes. Segundo o Ministério Público, qualquer internauta pode ser punido. Alceu Luís Castilho, Jéssika Torrezan e Lígia Ligabue Lista de comunidades: Eu odeio as "Minas Mano" - 31.323 membros – (Nº da comunidade 267420) P.q.Pariu,eu odeio a Preta Gil - 20.167 membros – (Nº 79266) Anti-cotas raciais - 18.031 membros – (Nº 40260) Eu odeio mina q paga de mano - 6.556 membros – (Nº 1379753) Eu não comeria a Preta Gil - 5.580 membros (Nº 92727) Eu odeio os manos de shopping! - 3.532 membros – (Nº 774201) Eu odeio mano & maloqueiro - 1.991 membros – (Nº1321197) Manos Estragam Sorocaba! 1.836 membros – (Nº 902121) Já arranjei briga com mano - 951 membros – (Nº 1326410) Os Manos estragam Poços! - 930 membros – (Nº 1444511) Eu odeio os manos de Bauru - 598 membros – (Nº 705014) Eu odeio mano!! 565 membros – (Nº 665182) Nós odiamos manos! - 553 membros – (Nº 879665) Odiamos Os Manos De São Carlos - 484 membros – (Nº 1689532) Mate um mano/plante uma árvore - 454 membros – (Nº 2866537) Manos da Catedral... Sucks! (Botucatu) - 443 membros – (Nº 431265) Odeio os manos do shops de Rc (Rio Claro) - 359 membros – (Nº 945736) Eu odeio "Manos" - 325 membros – (Nº 866303) Odeio os manos de Rolândia - 200 membros – (Nº Odeio mano - 369 membros – (Nº 233749) Eu odeio "Mano Fucker" - 279 membros – (Nº 701800) Eu odeio mano - 240 membros – (Nº 1142216) Seja um humano, não um mano - 217 membros – (Nº 4217930) Os manos tomaram conta de TB (Telêmaco Borba) – 152 membros – (Nº 3273580) Odeio os manos de Valinhos - 125 membros – (Nº 1854510) BS – Black Service - 69 membros – (Nº 2421397) Eu odeio os manos de Marília - 48 membros – (Nº 1980847) Odeio os manos de Arapongas - 46 membros – (Nº 3602584) |
Domingo, 11 de Janeiro de 2009
Sítio arqueológico descoberto em Angra por professora da UERJ será aberto à visitação
UERJ - 25/11/2008
O sítio arqueológico, descoberto pela professora Nanci Vieira, do Laboratório de Antropologia Biológica da UERJ, no início dos anos 90, na praia de Piraquara, município de Angra dos Reis, se tornará em museu e será inaugurado no início de 2009. O projeto é o resultado de uma parceria entre o laboratório, a Eletronuclear, administradora das usinas nucleares de Angra e responsável pela região, e a Faperj, que financia as bolsas dos 35 jovens que aprendem na prática os fundamentos da arqueologia e educação patrimonial.
A praia onde se localiza o museu é pequena, porém riquíssima em áreas de interesse histórico, como explica a professora: "Naquela área você tem um sambaqui – um sitio pré-colonial – sítios oficinas pré-coloniais, edificações do século XVIII, e uma fortificação do início do século XIX, tudo isso numa praia de 300 metros" – explica Nanci. A fortificação instalada pelos portugueses fazia parte de uma rede responsável por vigiar toda a costa do Rio de Janeiro e enviar as informações à Corte por meio de sinalizações com bandeiras, como descobriu a professora em uma outra pesquisa na região.
Segundo Nanci, toda a área de Angra e Parati é rica em sítios arqueológicos ainda não descobertos, que precisam ser preservados. Este é um dos motivos pelos quais o projeto envolve os jovens moradores da região, inclusive indígenas, que aprendem sobre arqueologia e a importância de se preservar o patrimônio. "Os jovens passam a ser multiplicadores de conhecimento, ajudando a mapear e proteger as áreas de interesse arqueológico. Neste ano os bolsistas fizeram entrevistas com pessoas da região, o que permitiu que definíssemos algumas áreas onde serão feitos levantamentos sobre possíveis sítios arqueológicos" – explica a professora.
Um exemplo de importância da participação da comunidade na descoberta dos sítios arqueológicos é justamente a forma como a professora Nanci chegou até a praia de Piraquara. "Eu fui para a região de Angra, com o apoio de Furnas, em busca das aldeias canibais citadas pelo aventureiro Hans Staden em suas viagens pelo Brasil no século XVI. Lá eu encontrei um senhor que me falou de algumas 'pedras estranhas' na praia de Piraquara. Quando eu cheguei lá descobri que essas pedras eram, na verdade, polidores que os índios usavam para fazer suas ferramentas. Foi aí que eu encontrei e mapeei os sítios" – conta a professora.
O sítio-museu, que será aberto à visitação, está localizado na área de ocupação indígena pré-colonial, conhecida pelos arqueólogos como sambaqui, uma palavra de origem tupi usada para designar ocupações muito antigas de índios coletores de moluscos. Os interessados em fazer uma visita ao local devem entrar em contato com o centro de informações da Eletronuclear, responsável pela área de Piraquara, para agendar uma visita guiada aos sítios da região e aprender mais sobre essas fascinantes civilizações antigas.
Sábado, 10 de Janeiro de 2009
Pode ser uma "pessoa de cor"?
| Divirta-se. Ou vomite. Obs. Rodrigo Vianna é branco! VIANNA: CLASSE MÉDIA NÃO QUER BABÁ "DE COR"Atualizado em 24 de novembro de 2008 às 20:13 | Publicado em 24 de novembro de 2008 às 20:09 CLASSE MÉDIA NÃO QUER BABÁ "DE COR" de Rodrigo Vianna, em seu blog A coordenadora da agência, muito solícita, engata de primeira: "pode ser uma pessoa "de cor", ou a senhora tem alguma restrição? Desculpe, mas muita gente que liga pra cá não quer babá "de cor", por isso eu tô perguntando". Já reparou nas crianças que cometem uma traquinagem? Quando o pai chega perto, sem perguntar nada, a criança já se entrega: "não fui eu", "não fiz nada". É o famoso processo da negação. "Não Somos racistas"... Sei. Como não existe raça, então não pode haver racismo. Pronto, está resolvido. Com isso, evita-se a discussão sobre preconceito, sobre nossa história de Escravidão, sobre a tradição de nossas elites que sempre trataram os negros como mercadoria. Eu escrevi pra ele, reclamando de uma reportagem sobre racismo, que fiz para o Jornal Nacional , mas que nunca foi ao ar (já contei esse episódio, numa entrevista para o Marcelo Salles, no site "Fazendo Media" http://www.fazendomedia.com/novas/entrevista120407b.htm). Travei com esse personagem sinistro da Globo, por e-mail, um pequeno debate sobre o tema do racismo. Tentei lembrar a ele as raízes históricas do racismo no Brasil... O sujeito teve o desplante de afirmar que nem na época Colonial o problema era tão sério, já que negros, muitas vezes, podiam ser proprietários de escravos... É de doer! |


