Este blog indica notícias veiculadas na mídia e que podem ser utilizadas por professores em aulas de Sociologia no Ensino Médio, bem como de outras disciplinas, visando auxiliar o aluno a adquirir uma perspectiva crítica da sociedade

Sexta-feira, 26 de Junho de 2009

Assine este abaixo-assinado: Lei do Silêncio Residencial

Todo cidadão tem o direito a chegar em sua casa no final de semana e, simplesmente, relaxar, sem que seu lar seja invadido por decibéis de música alheia. Podemos escolher morar ou não perto de um bar ou de uma boate, mas não temos como nos precaver de vizinhos mau educados e egocêntricos. Estabelecimento residencial é local para moradia, não para shows privados.
Este abaixo assinado será enviado para as esferas municipais, estaduais e federais de nosso Legislativo, estimulando-os à criação de uma "Lei do Silêncio Residencial", independente de horários, advogando a obrigatoriedade das festas em playgrounds, residências e outros espaços não-comerciais utilizarem apenas MÚSICA AMBIENTE.

Quinta-feira, 4 de Junho de 2009

330 Livros Grátis

 
  1. A Divina Comédia -Dante Alighieri
  2. A Comédia dos Erros -William Shakespeare
  3. Poemas de Fernando Pessoa -Fernando Pessoa
  4. Dom Casmurro -Machado de Assis
  5. Cancioneiro -Fernando Pessoa
  6. Romeu e Julieta -William Shakespeare
  7. A Cartomante -Machado de Assis
  8. Mensagem -Fernando Pessoa
  9. A Carteira -Machado de Assis
  10. A Megera Domada -William Shakespeare
  11. A Tragédia de Hamlet, Príncipe da Dinamarca -William Shakespeare
  12. Sonho de Uma Noite de Verão -William Shakespeare
  13. O Eu profundo e os outros Eus. -Fernando Pessoa
  14. Dom Casmurro -Machado de Assis
  15. Do Livro do Desassossego -Fernando Pessoa
  16. Poesias Inéditas -Fernando Pessoa
  17. Tudo Bem Quando Termina Bem -William Shakespeare
  18. A Carta -Pero Vaz de Caminha
  19. A Igreja do Diabo -Machado de Assis
  20. Macbeth -William Shakespeare
  21. Este mundo da injustiça globalizada -José Saramago
  22. A Tempestade -William Shakespeare
  23. O pastor amoroso -Fernando Pessoa
  24. A Cidade e as Serras -José Maria Eça de Queirós
  25. Livro do Desassossego -Fernando Pessoa
  26. A Carta de Pero Vaz de Caminha -Pero Vaz de Caminha
  27. O Guardador de Rebanhos -Fernando Pessoa
  28. O Mercador de Veneza -William Shakespeare
  29. A Esfinge sem Segredo -Oscar Wilde
  30. Trabalhos de Amor Perdidos -William Shakespeare
  31. Memórias Póstumas de Brás Cubas -Machado de Assis
  32. A Mão e a Luva -Machado de Assis
  33. Arte Poética -Aristóteles
  34. Conto de Inverno -William Shakespeare
  35. Otelo, O Mouro de Veneza -William Shakespeare
  36. Antônio e Cleópatra -William Shakespeare
  37. Os Lusíadas -Luís Vaz de Camões
  38. A Metamorfose -Franz Kafka
  39. A Cartomante -Machado de Assis
  40. Rei Lear -William Shakespeare
  41. A Causa Secreta -Machado de Assis
  42. Poemas Traduzidos -Fernando Pessoa
  43. Muito Barulho Por Nada -William Shakespeare
  44. Júlio César -William Shakespeare
  45. Auto da Barca do Inferno -Gil Vicente
  46. Poemas de Álvaro de Campos -Fernando Pessoa
  47. Cancioneiro -Fernando Pessoa
  48. Catálogo de Autores Brasileiros com a Obra em Domínio Público -Fundação Biblioteca Nacional
  49. A Ela -Machado de Assis
  50. O Banqueiro Anarquista -Fernando Pessoa
  51. Dom Casmurro -Machado de Assis
  52. A Dama das Camélias -Alexandre Dumas Filho
  53. Poemas de Álvaro de Campos -Fernando Pessoa
  54. Adão e Eva -Machado de Assis
  55. A Moreninha -Joaquim Manuel de Macedo
  56. A Chinela Turca -Machado de Assis
  57. As Alegres Senhoras de Windsor -William Shakespeare
  58. Poemas Selecionados -Florbela Espanca
  59. As Vítimas-Algozes -Joaquim Manuel de Macedo
  60. Iracema -José de Alencar
  61. A Mão e a Luva -Machado de Assis
  62. Ricardo III -William Shakespeare
  63. O Alienista -Machado de Assis
  64. Poemas Inconjuntos -Fernando Pessoa
  65. A Volta ao Mundo em 80 Dias -Júlio Verne
  66. A Carteira -Machado de Assis
  67. Primeiro Fausto -Fernando Pessoa
  68. Senhora -José de Alencar
  69. A Escrava Isaura -Bernardo Guimarães
  70. Memórias Póstumas de Brás Cubas -Machado de Assis
  71. A Mensageira das Violetas -Florbela Espanca
  72. Sonetos -Luís Vaz de Camões
  73. Eu e Outras Poesias -Augusto dos Anjos
  74. Fausto -Johann Wolfgang von Goethe
  75. Iracema -José de Alencar
  76. Poemas de Ricardo Reis -Fernando Pessoa
  77. Os Maias -José Maria Eça de Queirós
  78. O Guarani -José de Alencar
  79. A Mulher de Preto -Machado de Assis
  80. A Desobediência Civil -Henry David Thoreau
  81. A Alma Encantadora das Ruas -João do Rio
  82. A Pianista -Machado de Assis
  83. Poemas em Inglês -Fernando Pessoa
  84. A Igreja do Diabo -Machado de Assis
  85. A Herança -Machado de Assis
  86. A chave -Machado de Assis
  87. Eu -Augusto dos Anjos
  88. As Primaveras -Casimiro de Abreu
  89. A Desejada das Gentes -Machado de Assis
  90. Poemas de Ricardo Reis -Fernando Pessoa
  91. Quincas Borba -Machado de Assis
  92. A Segunda Vida -Machado de Assis
  93. Os Sertões -Euclides da Cunha
  94. Poemas de Álvaro de Campos -Fernando Pessoa
  95. O Alienista -Machado de Assis
  96. Don Quixote. Vol. 1 -Miguel de Cervantes Saavedra
  97. Medida Por Medida -William Shakespeare
  98. Os Dois Cavalheiros de Verona -William Shakespeare
  99. A Alma do Lázaro -José de Alencar
  100. A Vida Eterna -Machado de Assis
  101. A Causa Secreta -Machado de Assis
  102. 14 de Julho na Roça -Raul Pompéia
  103. Divina Comedia -Dante Alighieri
  104. O Crime do Padre Amaro -José Maria Eça de Queirós
  105. Coriolano -William Shakespeare
  106. Astúcias de Marido -Machado de Assis
  107. Senhora -José de Alencar
  108. Auto da Barca do Inferno -Gil Vicente
  109. Noite na Taverna -Manuel Antônio Álvares de Azevedo
  110. Memórias Póstumas de Brás Cubas -Machado de Assis
  111. A "Não-me-toques"! -Artur Azevedo
  112. Os Maias -José Maria Eça de Queirós
  113. Obras Seletas -Rui Barbosa
  114. A Mão e a Luva -Machado de Assis
  115. Amor de Perdição -Camilo Castelo Branco
  116. Aurora sem Dia -Machado de Assis
  117. Édipo-Rei -Sófocles
  118. O Abolicionismo -Joaquim Nabuco
  119. Pai Contra Mãe -Machado de Assis
  120. O Cortiço -Aluísio de Azevedo
  121. Tito Andrônico -William Shakespeare
  122. Adão e Eva -Machado de Assis
  123. Os Sertões -Euclides da Cunha
  124. Esaú e Jacó -Machado de Assis
  125. Don Quixote -Miguel de Cervantes
  126. Camões -Joaquim Nabuco
  127. Antes que Cases -Machado de Assis
  128. A melhor das noivas -Machado de Assis
  129. Livro de Mágoas -Florbela Espanca
  130. O Cortiço -Aluísio de Azevedo
  131. A Relíquia -José Maria Eça de Queirós
  132. Helena -Machado de Assis
  133. Contos -José Maria Eça de Queirós
  134. A Sereníssima República -Machado de Assis
  135. Iliada -Homero
  136. Amor de Perdição -Camilo Castelo Branco
  137. A Brasileira de Prazins -Camilo Castelo Branco
  138. Os Lusíadas -Luís Vaz de Camões
  139. Sonetos e Outros Poemas -Manuel Maria de Barbosa du Bocage
  140. Ficções do interlúdio: para além do outro oceano de Coelho Pacheco. -Fernando Pessoa
  141. Anedota Pecuniária -Machado de Assis
  142. A Carne -Júlio Ribeiro
  143. O Primo Basílio -José Maria Eça de Queirós
  144. Don Quijote -Miguel de Cervantes
  145. A Volta ao Mundo em Oitenta Dias -Júlio Verne
  146. A Semana -Machado de Assis
  147. A viúva Sobral -Machado de Assis
  148. A Princesa de Babilônia -Voltaire
  149. O Navio Negreiro -Antônio Frederico de Castro Alves
  150. Catálogo de Publicações da Biblioteca Nacional -Fundação Biblioteca Nacional
  151. Papéis Avulsos -Machado de Assis
  152. Eterna Mágoa -Augusto dos Anjos
  153. Cartas D'Amor -José Maria Eça de Queirós
  154. O Crime do Padre Amaro -José Maria Eça de Queirós
  155. Anedota do Cabriolet -Machado de Assis
  156. Canção do Exílio -Antônio Gonçalves Dias
  157. A Desejada das Gentes -Machado de Assis
  158. A Dama das Camélias -Alexandre Dumas Filho
  159. Don Quixote. Vol. 2 -Miguel de Cervantes Saavedra
  160. Almas Agradecidas -Machado de Assis
  161. Cartas D'Amor - O Efêmero Feminino -José Maria Eça de Queirós
  162. Contos Fluminenses -Machado de Assis
  163. Odisséia -Homero
  164. Quincas Borba -Machado de Assis
  165. A Mulher de Preto -Machado de Assis
  166. Balas de Estalo -Machado de Assis
  167. A Senhora do Galvão -Machado de Assis
  168. O Primo Basílio -José Maria Eça de Queirós
  169. A Inglezinha Barcelos -Machado de Assis
  170. Capítulos de História Colonial (1500-1800) -João Capistrano de Abreu
  171. CHARNECA EM FLOR -Florbela Espanca
  172. Cinco Minutos -José de Alencar
  173. Memórias de um Sargento de Milícias -Manuel Antônio de Almeida
  174. Lucíola -José de Alencar
  175. A Parasita Azul -Machado de Assis
  176. A Viuvinha -José de Alencar
  177. Utopia -Thomas Morus
  178. Missa do Galo -Machado de Assis
  179. Espumas Flutuantes -Antônio Frederico de Castro Alves
  180. História da Literatura Brasileira: Fatores da Literatura Brasileira -Sílvio Romero
  181. Hamlet -William Shakespeare
  182. A Ama-Seca -Artur Azevedo
  183. O Espelho -Machado de Assis
  184. Helena -Machado de Assis
  185. As Academias de Sião -Machado de Assis
  186. A Carne -Júlio Ribeiro
  187. A Ilustre Casa de Ramires -José Maria Eça de Queirós
  188. Como e Por Que Sou Romancista -José de Alencar
  189. Antes da Missa -Machado de Assis
  190. A Alma Encantadora das Ruas -João do Rio
  191. A Carta -Pero Vaz de Caminha
  192. LIVRO DE SÓROR SAUDADE -Florbela Espanca
  193. A mulher Pálida -Machado de Assis
  194. Americanas -Machado de Assis
  195. Cândido -Voltaire
  196. Viagens de Gulliver -Jonathan Swift
  197. El Arte de la Guerra -Sun Tzu
  198. Conto de Escola -Machado de Assis
  199. Redondilhas -Luís Vaz de Camões
  200. Iluminuras -Arthur Rimbaud
  201. Schopenhauer -Thomas Mann
  202. Carolina -Casimiro de Abreu
  203. A esfinge sem segredo -Oscar Wilde
  204. Carta de Pero Vaz de Caminha. -Pero Vaz de Caminha
  205. Memorial de Aires -Machado de Assis
  206. Triste Fim de Policarpo Quaresma -Afonso Henriques de Lima Barreto
  207. A última receita -Machado de Assis
  208. 7 Canções -Salomão Rovedo
  209. Antologia -Antero de Quental
  210. O Alienista -Machado de Assis
  211. Outras Poesias -Augusto dos Anjos
  212. Alma Inquieta -Olavo Bilac
  213. A Dança dos Ossos -Bernardo Guimarães
  214. A Semana -Machado de Assis
  215. Diário Íntimo -Afonso Henriques de Lima Barreto
  216. A Casadinha de Fresco -Artur Azevedo
  217. Esaú e Jacó -Machado de Assis
  218. Canções e Elegias -Luís Vaz de Camões
  219. História da Literatura Brasileira -José Veríssimo Dias de Matos
  220. A mágoa do Infeliz Cosme -Machado de Assis
  221. Seleção de Obras Poéticas -Gregório de Matos
  222. Contos de Lima Barreto -Afonso Henriques de Lima Barreto
  223. Farsa de Inês Pereira -Gil Vicente
  224. A Condessa Vésper -Aluísio de Azevedo
  225. Confissões de uma Viúva -Machado de Assis
  226. As Bodas de Luís Duarte -Machado de Assis
  227. O LIVRO D'ELE -Florbela Espanca
  228. O Navio Negreiro -Antônio Frederico de Castro Alves
  229. A Moreninha -Joaquim Manuel de Macedo
  230. Lira dos Vinte Anos -Manuel Antônio Álvares de Azevedo
  231. A Orgia dos Duendes -Bernardo Guimarães
  232. Kamasutra -Mallanâga Vâtsyâyana
  233. Triste Fim de Policarpo Quaresma -Afonso Henriques de Lima Barreto
  234. A Bela Madame Vargas -João do Rio
  235. Uma Estação no Inferno -Arthur Rimbaud
  236. Cinco Mulheres -Machado de Assis
  237. A Confissão de Lúcio -Mário de Sá-Carneiro
  238. O Cortiço -Aluísio Azevedo
  239. RELIQUIAE -Florbela Espanca
  240. Minha formação -Joaquim Nabuco
  241. A Conselho do Marido -Artur Azevedo
  242. Auto da Alma -Gil Vicente
  243. 345 -Artur Azevedo
  244. O Dicionário -Machado de Assis
  245. Contos Gauchescos -João Simões Lopes Neto
  246. A idéia do Ezequiel Maia -Machado de Assis
  247. AMOR COM AMOR SE PAGA -França Júnior
  248. Cinco minutos -José de Alencar
  249. Lucíola -José de Alencar
  250. Aos Vinte Anos -Aluísio de Azevedo
  251. A Poesia Interminável -João da Cruz e Sousa
  252. A Alegria da Revolução -Ken Knab
  253. O Ateneu -Raul Pompéia
  254. O Homem que Sabia Javanês e Outros Contos -Afonso Henriques de Lima Barreto
  255. Ayres e Vergueiro -Machado de Assis
  256. A Campanha Abolicionista -José Carlos do Patrocínio
  257. Noite de Almirante -Machado de Assis
  258. O Sertanejo -José de Alencar
  259. A Conquista -Coelho Neto
  260. Casa Velha -Machado de Assis
  261. O Enfermeiro -Machado de Assis
  262. O Livro de Cesário Verde -José Joaquim Cesário Verde
  263. Casa de Pensão -Aluísio de Azevedo
  264. A Luneta Mágica -Joaquim Manuel de Macedo
  265. Poemas -Safo
  266. A Viuvinha -José de Alencar
  267. Coisas que Só Eu Sei -Camilo Castelo Branco
  268. Contos para Velhos -Olavo Bilac
  269. Ulysses -James Joyce
  270. 13 Oktobro 1582 -Luiz Ferreira Portella Filho
  271. Cícero -Plutarco
  272. Espumas Flutuantes -Antônio Frederico de Castro Alves
  273. Confissões de uma Viúva Moça -Machado de Assis
  274. As Religiões no Rio -João do Rio
  275. Várias Histórias -Machado de Assis
  276. A Arrábida -Vania Ribas Ulbricht
  277. Bons Dias -Machado de Assis
  278. O Elixir da Longa Vida -Honoré de Balzac
  279. A Capital Federal -Artur Azevedo
  280. A Escrava Isaura -Bernardo Guimarães
  281. As Forças Caudinas -Machado de Assis
  282. Coração, Cabeça e Estômago -Camilo Castelo Branco
  283. Balas de Estalo -Machado de Assis
  284. AS VIAGENS -Olavo Bilac
  285. Antigonas -Sofócles
  286. A Dívida -Artur Azevedo
  287. Sermão da Sexagésima -Pe. Antônio Vieira
  288. Uns Braços -Machado de Assis
  289. Ubirajara -José de Alencar
  290. Poética -Aristóteles
  291. Bom Crioulo -Adolfo Ferreira Caminha
  292. A Cruz Mutilada -Vania Ribas Ulbricht
  293. Antes da Rocha Tapéia -Machado de Assis
  294. Poemas Irônicos, Venenosos e Sarcásticos -Manuel Antônio Álvares de Azevedo
  295. Histórias da Meia-Noite -Machado de Assis
  296. Via-Láctea -Olavo Bilac
  297. O Mulato -Aluísio de Azevedo
  298. O Primo Basílio -José Maria Eça de Queirós
  299. Os Escravos -Antônio Frederico de Castro Alves
  300. A Pata da Gazela -José de Alencar
  301. BRÁS, BEXIGA E BARRA FUNDA -Alcântara Machado
  302. Vozes d'África -Antônio Frederico de Castro Alves
  303. Memórias de um Sargento de Milícias -Manuel Antônio de Almeida
  304. O que é o Casamento? -José de Alencar
  305. A Harpa do Crente -Vania Ribas Ulbricht
  306. A Casa Fechada -Roberto Gomes Ribeiro
  307. As Asas de um Anjo (Comédia) -José de Alencar
  308. Béatrix -Honoré de Balzac
  309. Diva -José de Alencar
  310. A Melhor Amiga -Artur Azevedo
  311. A Confissão de Lúcio -Mário de Sá-Carneiro
  312. CONTOS AVULSOS -Alcântara Machado
  313. Poemas Humorísticos e Irônicos -João da Cruz e Sousa
  314. Cantiga de Esponsais -Machado de Assis
  315. Quincas Borba -Machado de Assis
  316. Brincar com fogo -Machado de Assis
  317. Helena -Machado de Assis
  318. Dentro da noite -João do Rio
  319. O Livro da Lei -Aleister Crowley
  320. Caramuru: poema épico do descobrimento da Bahia -José de Santa Rita Durão
  321. Conto de Escola -Machado de Assis
  322. Memórias de um Sargento de Milícias -Manuel Antônio de Almeida
  323. Poemas Malditos -Manuel Antônio Álvares de Azevedo
  324. Ao Entardecer (contos vários) -Visconde de Taunay
  325. Felicidade pelo Casamento -Machado de Assis
  326. Noite na Taverna -Manuel Antônio Álvares de Azevedo
  327. Cartas Chilenas -Tomáz Antônio Gonzaga
  328. O Mulato -Aluísio de Azevedo
  329. Farsa do Velho da Horta -Gil Vicente
  330. Amor com Amor se Paga -Joaquim José da França Júnior


Quarta-feira, 20 de Maio de 2009

Ahhh, Fala Sério

Uma resposta espontânea e filosófica sobre a questão das cotas para negros

Concordo totalmente quando críticos das cotas para negros carentes afirmam que, ao invés das cotas, devemos dar "educação e cultura para todos"... Entretanto, enquanto isso não acontece, o que fazemos com os milhões de estudantes negros filhos da miséria neste país?

Proponho um rápido exercício de percepção. Olhem para fora, através da película de insulfilm de seus carros refrigerados, e verifiquem quantos negros encontram de terno e gravata pelos tribunais, pelas cadeiras das universidades, pelos meios de comunicação, pelas salas de médicos de hospitais (quantos dentistas negros já lhes atenderam?). Não encontraram muitos? Então observem os mendigos, os presidiários, as filas de hospitais públicos e, naquele vôo panorâmico de helicóptero que fizerem para mostrar o Rio, Cidade Maravilhosa, a algum amigo estrangeiro em visita, sobrevoem os campinhos de futebol de terra das favelas cariocas. Encontraram os negros deste país?

Agora visitem de forma onisciente um Departamento de Recursos Humanos de uma empresa privada e observe um candidato negro e um candidato branco com a mesma formação, experiência e capacidade concorrendo a uma vaga para qualquer tipo de cargo. Qual terá, em sua opinião sincera, mais chances de êxito?

Neste contexto, vocês acham que basta dizermos a esses jovens:

- "Olha, como a solução correta não é a de cotas, é dar educação e cultura para todos, vocês continuem na miséria na qual já aprenderam a viver, que, um dia, nós vamos tornar o ensino público excelente, a ponto de poder concorrer com os belos colégios informatizados e climatizados da Zona Sul e Barra da Tijuca. Tudo bem que umas 3 gerações ainda serão condenadas a permanecer na exclusão intelectual, mas o que importa é que nós, agora, começamos a descobrir que temos que talvez pensar em algo que, em alguma medida, possa, quem sabe, talvez,a longo prazo, dependendo de certas variantes, provavelmente, solucionar a questão!!!"

É isso? Condenar gerações porque a classe média/alta só agora, que viu seu filho perder a vaguinha gratuita na universidade pública para um negro pobre, descobriu a solução milagrosa da recuperação do ensino público e o discurso da igualdade entre todos os cidadãos?

Expressando minha opinião, recorro a um ilustre filósofo de Belford Roxo que, em resposta a esses questionamentos, depois de muita reflexão e debate íntimo, diria, de forma brilhante:

- Ahhh, fala sério!!!

Sexta-feira, 1 de Maio de 2009

"Soja é que nem negro, uma vez que nasce é difícil de matar"


Comentário: A frase acima foi dita por um professor em sala de aula. Ele foi condenado por racismo.  A Universidade tentou defendê-lo dizendo que suas frases não carregavam sentido pejorativo.

Deve ser porque, na lógica estúpida dele, comparou o negro a um produto valioso: a soja.


Professor universitário é condenado a pagar multa por racismo

Segundo o MPF, ele teria feito considerações preconceituosas em aula.
Réu dá aulas de Agronomia na Universidade Federal do Rio Grande Sul.

Do G1, em São Paulo


A 3ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) condenou, nesta terça-feira (28), um professor da faculdade de Agronomia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) a pagar multa civil por ato de racismo. O professor foi denunciado em ação civil pública pelo Ministério Público Federal (MPF) por ter feito em aula comentários racistas. Ele poderá recorrer da decisão.

Segundo o tribunal, conforme a denúncia do MPF, o acusado teria dito durante o primeiro dia de aula da disciplina "Leguminosas de Grãos Alimentícios", em março de 2000, as frases: "os negrinhos da favela só tinham os dentes brancos porque a água que bebiam possuía fluor" e "soja é que nem negro, uma vez que nasce é difícil de matar".

À época, foi aberta uma comissão de sindicância na faculdade, que concluiu que não havia conotação racista nas afirmativas do professor e que este tinha "o intuito de criar um ambiente mais descontraído no primeiro dia de aula", e ainda, que teria feito uso de expressões informais usuais no meio rural relacionadas à raça negra.

O MPF ajuizou a ação, julgada pela 6ª Vara Federal de Porto Alegre, que foi considerada improcedente. A Procuradoria recorreu ao TRF alegando que houve ação discriminatória e racista e provocado constrangimento e indignação em todos os presentes, principalmente o único aluno negro presente.

 

Defesa

O acusado se defendeu alegando ter dito as frases sem intenção pejorativa e que valera-se de ditado corrente na zona rural, costumeiro em agricultores de origem italiana, que teria um conteúdo positivo, relativo ao vigor da raça negra. Entretanto, conforme alunos que testemunharam o fato, ele teria se retratado ao final da aula e em aulas posteriores tentado intimidar o aluno ofendido.

 

De acordo com o TRF, o relator do processo, juiz federal Roger Raupp Rios, entendeu que "é inequívoca a violação dos princípios da legalidade, da impessoalidade e da moralidade". Segundo o magistrado, um professor com o grau de intelectualidade do réu não teria como ignorar o conteúdo racista nas expressões utilizadas.

O professor foi condenado a pagar multa civil no valor de uma remuneração mensal do seu cargo universitário, que será destinada ao fundo da ação civil pública, incluídas todas as vantagens e adicionais que recebia quando ocorreu o fato.


Quinta-feira, 30 de Abril de 2009

Jovem é preso acusado de racismo pela internet no Paraná

O GLOBO 

CURITIBA - Um jovem de 21 anos foi preso nesta quarta-feira em Rolândia, norte do Paraná, suspeito de praticar o crime de racismo pela internet. A Polícia Federal (PF) de Londrina cumpriu quatro mandados de busca e apreensão e vai investigar a prática do crime. Policiais apreenderam materiais que podem comprovar a prática de preconceito racial e regional.

- Geralmente as pessoas utilizam subterfúgios para não serem identificados. Mas esse rapaz não tomou cuidado - afirmou o delegado da PF, Evaristo Kuceki.

Segundo o delegado, o rapaz, que não teve o nome divulgado porque o inquérito corre em segredo de Justiça, teria confessado a prática.

- Ele já nos confessou e disse que a princípio seria uma brincadeira - contou Kuceki.

As investigações apontaram que o jovem acessava a internet por meio de computadores de quatro lugares diferentes, entre casas de parentes e uma lan house. O suspeito pode pegar de dois a cinco anos de reclusão, previstos no artigo 20 da lei 7716/1989, se for confirmada a prática do crime.

- É uma brincadeira muito séria e que pode levar à prisão - afirmou o delegado.

De acordo com ele, serão analisados quatro discos rígidos, um pen drive e um notebook, apreendidos pela PF.

Quinta-feira, 19 de Fevereiro de 2009

A lista dos partidos mais corruptos

Comentário: interessante estes dados recuperados na web. Entre os grandes, o primeiro colocado em corrupção é o PMDB (com 30 parlamentares citados). Depois vem o PSDB (com 20), o DEM (com 19) e finalmente o PT (16).

Um terço dos parlamentares tem problemas com Justiça e Tribunais de Conta, aponta Projeto Excelências

15/06 - 09:50, atualizada às 16:21 15/06 - Nara Alves, repórter iG no Rio



RIO DE JANEIRO – Cerca de um terço dos parlamentares brasileiros, entre deputados e senadores, tem problemas com a Justiça e com Tribunais de Contas. É o que aponta a pesquisa realizada pelo Projeto Excelências, da organização não-governamental Transparência Brasil. O site do projeto, hospedado no Portal iG, disponibiliza as ocorrências com o nome e a legenda de cada representante. "É deprimente que haja esse número exagerado de gente com ocorrências em processos criminais", avalia o diretor-executivo da ONG, Cláudio Abramo.



 

Dos 80 senadores, 28 (ou 35%) são citados em ocorrências. Na Câmara dos Deputados, 160 dos 513 (ou 31%) estão envolvidos em algum escândalo ou denúncia. Na Assembléia Legislativa de São Paulo, a porcentagem sobe para 39%, atingindo 37 dos 94 deputados estaduais. A maior parte das ocorrências são processos criminais por peculato e compra de votos, processos em Tribunais de Contas por multas e licitações irregulares.


"É espantoso que os partidos políticos dêem guarita a esses parlamentares. Como aceitam candidatos assim?", questiona Abramo. Para o diretor-executivo da ONG, as legendas deveriam proibir um político de se candidatar a um cargo público enquanto estivesse com problemas na Justiça ou com Tribunais de Contas. "Não é uma questão legal, mas deveria ser uma questão dos partidos", sugere.


Na Câmara

O diretor-executivo da ONG Transparência Brasil ressaltou a gravidade de algumas das acusações envolvendo parlamentares. "Eles respondem a processos gravíssimos na Justiça", afirmou. O deputado Asdrúbal Bentes (PMDB-PA), por exemplo, é acusado de fazer laqueaduras em troca de votos. Já Beto Mansur (PP-SP) responde por manter trabalho escravo. Paulo Magalhães (DEM-BA) responde por lesão corporal. Muitos são investigados, ainda, por denúncias feitas pelas Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) como as do mensalão e sanguessuga.


Os deputados Neudo Campos (PP-RR) e Paulo Maluf (PP-SP) são um dos que mais apresentam ocorrências com a Justiça, com acusações de corrupção, formação de quadrilha e peculato. Abelardo Camarinha (PSB-SP) é indiciado por licitação ilegal e responde a diversas ações  no  TRE-SP. Já Alexandre Silveira (PPS-MG) responde a diversas ações e deve esclarecimentos ao Tribunal de Contas da União por irregularidades em sua passagem pelo Departamento Nacional de Infra-estrutura e Transportes (Dnit).


O parlamentar Antonio Thame (PSDB-SP) tem 18 contratos sob investigação em Piracicaba, onde foi prefeito. Outros ex-prefeitos, Antonio Carlos Pannunzio (PSDB-SP), de Sorocaba, e Francisco Rossi (PMDB-SP), de Osasco, Severiano Alves (PDT-BA), de Saúde, Zé Gerardo (PMDB-CE), de Caucaia, e  Reinaldo Nogueira (PDT-SP), de Indaiatuba, também repondem por crime de responsabilidade. Jader Barbalho (PMDB-PA) responde a quatro ações no STF.


O ex-ministro dos Transportes Eliseu Padilha (PMDB-RS) reponde a um processo sigiloso no STF. A lista cita, ainda, Clodovil Hernandes (PTC-SP), indiciado por crime ambiental.


No Senado

Entre os senadores, as legendas com mais políticos citados são PMDB, com nove parlamentares, PSDB, com seis, e o DEM, com quatro. O PTB tem três senadores listados, o PR tem dois. Já PSB, PP, PCdoB e PT  têm um.


Os senadores mais comprometidos com a Justiça são Cícero Lucena (PSDB-PB), com processos no Supremo Tribunal Federal (STF) por crimes contra a administração pública, Expedito Júnior (PR-RO), com ações por compra de votos, Fernando Collor (PTB-AL), por peculato, corrupção e crime contra administração pública, João Ribeiro (PR-TO), por manter trabalho escravo  e  Raimundo Colombo (DEM-SC), por improbidade administrativa. Já o senador Wellington Salgado (PMDB-MG) deve ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).


Os partidos que mais contam com deputados federais comprometidos com a Justiça são: PMDB, com 30 nomes, PSDB, com 20, DEM, com 19, e PT, com 16. As demais legendas somaram 69 parlamentares, com mais ocorrências no PP, PTB, PR e PDT. As ocorrências mais recorrentes são de irregularidades acusadas pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) e Tribunal de Contas do Estado (TCE) de origem do parlamentar, além de processos no Superior Tribunal de Justiça (STJ) por crimes contra administração pública.

Quarta-feira, 4 de Fevereiro de 2009

O perigo do discurso da "flexibilizacão nas leis trabalhistas"



Este artigo é de 2003. A Europa inteira passou por esta flexibilizacão. Os EUA já tinham aderido há tempos. O que aconteceu? Um monte de subempregos, que escondem o verdadeiro alcance da tragédia social. Na Franca, por exempo, em jornadas parciais, sem garantias trabalhistas, estão 16% dos franceses, que vivem com menos de um salário mínimo...Agora com a tal crise...o discurso volta de novo a infestar a mídia (lógico, grupos de mídia são empresas, e alguns jornalistas fazem o jogo dos patrões). A convulsão social que se avizinha na Europa vem dessa "promessa de que com meio emprego todos estariam empregados". Promessa que foi por terra este ano.


DESEMPREGO

Precariedade, subemprego e pobreza trabalhadora

Num contexto de desregulamentação do mercado de trabalho, os assalariados em tempo parcial, mais numerosos que os desempregados, são os protagonistas do problema do subemprego (ou emprego atípico) e da pobreza, que atinge sobretudo as mulheres.


Margaret Maruani

Nos Estados Unidos, o número de desempregados aumentou cerca de 5% entre janeiro e abril de 2003. Na Espanha, o desemprego atinge 11,9% da população economicamente ativa – o recorde europeu. Na Alemanha, chega a 10,7% e, na França, a 9,3%. E mais, essas cifras minimizam a realidade. Paralelamente, a imposição do trabalho em tempo parcial, os horários atípicos estão cada vez mais presentes e, atualmente, cerca de um assalariado em cada seis recebe uma remuneração inferior ao salário mínimo, na França. Os trabalhadores pobres – trabalhadoras, na maioria das vezes – já não são uma exclusividade norte-americana.


No inventário dos danos colaterais do desemprego, a desestabilização multiforme das condições de emprego (trabalho temporário, contratos por tempo determinado, estágios de todos os tipos), aparece como uma espécie de evidência, conhecida e reconhecida há muito tempo. Em compensação, de modo geral, o subemprego não aparece entre os males do desemprego. Porque se confunde, em parte, com o trabalho em tempo parcial que os estereótipos culturais qualificam sistematicamente de "bom para as mulheres".

Na verdade, é impressionante ver como o trabalho em tempo parcial continua, com muita freqüência, sendo excluído de qualquer reflexão sobre emprego e desemprego. O assunto é relegado ao capítulo da diversificação do trabalho e, o que é pior, ao título "conciliação entre vida profissional e vida familiar", mas raramente abordado sob o ângulo da escassez de emprego.

A diversidade do "emprego atípico"

O subemprego não aparece entre os males colaterais do desemprego. Isso porque se confunde, em parte, com o trabalho em tempo parcial, "bom para as mulheres"

No entanto, disfarçado no discurso sobre a redução da jornada de trabalho (RTT, conforme a sigla francesa), o trabalho em tempo parcial constitui o pilar do subemprego. Este encontra-se muitas vezes escondido na expressão "empregos atípicos", expressão genérica que engloba todos os tipos de emprego que, de uma maneira ou de outra, violam a norma do trabalho relativa ao contrato por tempo indeterminado e em tempo integral. Encontram-se contratos por tempo determinado, o trabalho temporário, os contratos de auxiliares e os estágios diversos – eufemisticamente denominados "formas particulares de emprego" –, assim como o trabalho em tempo parcial que, muitas vezes, corresponde a uma situação em que se trabalha menos do que se gostaria (leia, nesta edição, o artigo, de Margaret Maruani, "Empregos atípicos"). Em forte alta nos últimos 20 anos, os empregos atípicos representam ¼ dos empregos1.


Evidentemente, eles abrangem situações muito heterogêneas: o trabalho temporário, conhecido pela precariedade das condições que oferece, às vezes inclui também assalariados muito qualificados; alguns contratos por tempo determinado (CDD, conforme a sigla francesa), constantemente renovados, podem se revelar mais estáveis que contratos por tempo indeterminado (CDI, também conforme a sigla francesa) que levem à demissão.

Tempo parcial e subemprego

Em alta nos últimos 20 anos, o emprego atípico corresponde a 25% do postos, abrange situações heterogêneas e inclui muitos assalariados qualificados

Por isso nem sempre se podem identificar os empregos temporários com a precariedade, mesmo que isto se mostre, de modo geral, justificado. De uma maneira ou de outra, essas diversas formas de emprego não estão somente "fora das normas". São caracterizadas também por uma instabilidade que as assimila à precariedade e que as aproxima do desemprego. Pois são freqüentemente as mesmas pessoas que oscilam entre contratos por tempo determinado, trabalho temporário, bicos e desemprego. São freqüentemente jovens, pouco qualificados2 e visivelmente em instabilidade permanente.

Mas eles não são os únicos a trabalhar sob o rótulo da instabilidade. Os assalariados e assalariadas em tempo parcial fazem parte também do panorama da desregulamentação do mercado de trabalho. Raramente inscrito no âmbito da instabilidade do emprego, o tempo parcial está, no entanto, no cerne do problema. É aí, entre assalariados e assalariadas que trabalham doze, quinze ou vinte e cinco horas por semana3, que se encontra o maior número de pessoas em subemprego, ou seja, as que trabalham menos do que desejariam. As discussões sobre as 35 horas suprimem totalmente o problema: como enfocam todas as pessoas que aspiram trabalhar menos (que, efetivamente, são inúmeras), esquecem as que querem trabalhar mais e não conseguem. As que têm necessidade de um salário integral, mas somente encontram um emprego de tempo parcial.

Atividade feminina "à francesa"

Assalariados em tempo parcial fazem parte do panorama da desregulamentação do mercado de trabalho na medida em que concentram o subemprego

Os debates sobre essa questão são uma síntese de má fé. Ao identificá-la a um "tempo escolhido", ao apresentá-la como uma arte de viver que permite a "conciliação entre vida familiar e vida profissional", apaga-se o problema do subemprego, apaga-se a questão dos baixos salários. E a questão é atribuída às mulheres.

Na França, como em toda a Europa, o trabalho em tempo parcial é apanágio das mulheres. Elas representam mais de 80% das pessoas que o desempenham. Mas, ao contrário de um grande número de vizinhos europeus, só recentemente surgiu na França. Seu desenvolvimento data precisamente do início da década de 80: atualmente, o número de pessoas que trabalha em tempo parcial – e que em 1980 era de cerca de 1 milhão e meio de pessoas – passou para pouco menos de 4 milhões. Ou seja, o trabalho em tempo parcial não constitui, na França, um componente do desenvolvimento da atividade feminina, pois, desde o início da década de 60, as mulheres entraram no mercado de trabalho em tempo integral. Essa constitui uma das características fortes do que se poderia denominar crescimento da atividade feminina "à francesa". O trabalho em tempo parcial ganhou força há uns 20 anos, devido à crise de emprego e sob o estímulo de políticas de grandes incentivos: ajudas financeiras aos empregadores para a criação de emprego em tempo parcial, abatimentos de cotizações sociais etc.

Pressões de ordem ideológica

Há 20 anos, com a crise do emprego, cresceu a atividade feminina "à francesa": mais de 80% dos que trabalham em tempo parcial são mulheres

Obviamente, esse fenômeno abrange realidades sociais extremamente diversificadas. Para algumas mulheres, reduzir a jornada de trabalho é uma decisão individual. Para outras, cada vez em maior número, trata-se de uma lógica inteiramente diferente. Na verdade, há 20 anos, o trabalho em tempo parcial desenvolveu-se em alguns setores (comércio, hotelaria, restaurantes, serviços para particulares e para empresas) e em uma categoria profissional particular: mais da metade das pessoas neles empregadas são mulheres. Caixas, vendedoras, faxineiras... a maioria não escolheu ocupar um posto em tempo parcial. Prefeririam ter um emprego de algumas horas a ficarem desempregadas. Muitas delas trabalham por um salário bem inferior ao salário mínimo mensal e com horários fracionados e alternados.

Está na hora, então, de acabar com essa idéia de "escolha". Tempo escolhido, tempo submetido: apesar das aparências, a questão não é pertinente. O que significa "escolher", quando as pressões são tão fortes que não existem outras soluções? Quando os empregos propostos jamais são de tempo integral? Quando as obrigações da vida familiar se tornam extremamente complexas? As pressões não são apenas de ordem econômica e doméstica. São também – e intensamente – ideológicas: o trabalho em tempo parcial foi construído com todas as peças como a forma de emprego ideal para as mulheres.

Expansão dos baixos salários

Portanto, não se trata de saber se o trabalho em tempo parcial foi um pouco, muito, apaixonadamente ou de maneira alguma escolhido, mas de considerar suas conseqüências. Ao longo dos anos, tornou-se o símbolo da divisão sexual do mercado de trabalho. E segue a mesma dinâmica, tornou-se o motor da pobreza laboriosa. Na verdade, quem fala de trabalho em tempo parcial, fala, é evidente, de salários parciais. No entanto, durante muito tempo, o assunto continuou tabu na França. Como se os working poor fossem uma exclusividade norte-americana.

Na França, a baixa remuneração está em expansão: 3,4 milhões de pessoas trabalham por salários inferiores ao mínimo. Entre elas, 80% são mulheres.

Foi preciso esperar o final da década de 90 para ter dados precisos e para que emergisse, enfim, a questão dos baixos salários e da pobreza laboriosa. As pesquisas de Pierre Concialdi e Sophie Ponthieux4 o demonstram: na França, desde então, 3 milhões e 400 mil pessoas trabalham por um salário inferior ao SMIC (salário mínimo interprofissional de crescimento) mensal. Entre elas, 80% são mulheres. Desde o início da década de 80, os baixos salários (menos de 838 euros por mês, ou seja, cerca de 2 940 reais) estão em plena expansão. Correspondem a 11% dos assalariados e assalariadas em 1983 e a 17% em 2001. O crescimento dos salários baixíssimos (menos de 629 euros, por volta de 2 200 reais), foi ainda mais rápido: de 5% dos(as) assalariados(as) em 1983, passaram para 9% em 2001.

Estatística oficial maquia o assalariado pobre

Esse rápido aumento do número de salários inferiores ao salário mínimo legal está estreitamente ligado à multiplicação dos empregos em tempo parcial, que atingem 80% daqueles que têm baixos salários. Paralelamente ao crescimento desse tipo de emprego, observa-se, então, o delineamento de um processo de pauperização: o desenvolvimento de uma margem de assalariados(as) pobres, ou seja, de pessoas que não estão desempregadas, nem são "excluídas", nem "recebem assistência", mas que trabalham sem conseguir ganhar sua subsistência.

Os que empregados em tempo parcial são 80% dos que têm baixos salários - eles não estão desempregados, mas não conseguem ganhar sua subsistência.

Essas mulheres, em sua maioria, são apagadas da contabilidade oficial dos working poor franceses. Por um lado, o Instituto Nacional de Estatística e de Estudos Econômicos (Insee) mantém, em sua definição de trabalhadores pobres, o limiar de 50% da renda mediana (ou seja, 534 euros, aproximadamente 1 870 reais, em 1996), e avalia seu número em apenas 1 milhão e 300 mil5. Por outro lado, ao optar por se basear em uma definição familiar (e não individual) de rendas, as estatísticas oficiais consideram 60% dos homens entre eles.

Desemprego feminino demais para chocar?

Esse cálculo exclui uma grande parte dos baixos salários determinados pelo subemprego. Subestima a pauperização de uma parte do assalariado – e principalmente do assalariado feminino. No entanto, é preciso se render às evidências: em nosso país, os(as) assalariados(as) pobres são mais numerosos do que os desempregados. Foi preciso esperar muito tempo para que esses dados se tornassem públicos. Sem dúvida, será preciso esperar ainda mais tempo para que apareçam no debate social.

Se não é o caso, aliás, longe disso, de um desconhecimento dos fatos e das cifras, o esquecimento do sexo do emprego, que caracteriza a maioria das análises econômicas, é de deixar qualquer um desconcertado. Essa estranha falha de memória leva às perguntas: a pobreza dos trabalhadores seria extremamente feminina para ser chocante? O subemprego seria menos grave quando afeta o segundo sexo?

Tudo em nome do desemprego

É em nome do desemprego que se precariza o emprego e que se lançam algumas categorias na inatividade obrigatória, no subemprego e baixos salários

A França do início do século XXI conta com 3 milhões e 400 mil pessoas que ganham menos que o salário mínimo. Mas, calma: não são trabalhadores pobres. A maioria é constituída por mulheres que procuram emprego para ter um salário parcial – um salário suplementar... Provavelmente, é aí que é preciso buscar a origem desse discernimento suspeito: uma tolerância social vergonhosa.

Revelar os números do desemprego não é algo evidente mas, pelo menos, sabemos disso. Em compensação, o subemprego e a pobreza dos trabalhadores continuam sendo a face escondida da crise de emprego. Pois o desemprego não é apenas a falta de emprego para um número considerável de pessoas. É também um meio de pressão sobre as condições de trabalho e de emprego de todos aqueles que trabalham. É em nome do desemprego que se precariza o emprego e que se lançam algumas categorias de assalariados(as) na inatividade obrigatória ou no subemprego, que se redefinem os ritmos de trabalho e que se impõe a aceitação de salários inferiores ao mínimo legal.

(Trad.: Wanda Caldeira Brant)

1 - De acordo com as cifras apresentadas por Benoît Ferrandon, em "Population et emploi", Les Cahiers Français n° 304, Paris, setembro-outubro de 2001.
2 - Segundo Olivier Chardon, "em março de 2001, 17% dos assalariados não-qualificados encontravam-se em CDD (7%), em trabalhos temporários (6%), em estágios (4%)" enquanto, em 1982, eram apenas 4%. Ler "Les transformations de l'emploi non qualifié depuis vingt ans", INSEE Première n° 796, Paris, julho de 2001.
3 - Com o tempo, a definição do trabalho em tempo parcial evoluiu muito. Na França, durante muitos anos considerou-se que o trabalho em tempo parcial começava a partir de uma jornada de trabalho inferior a, pelo menos, um quinto da jornada legal ou convencional do trabalho. Desde a lei de janeiro de 2000 (a chamada lei "Aubry 2"), considera-se assalariado em tempo parcial aquele cuja jornada de trabalho é inferior à duração legal ou convencional: portanto, desde então, diz respeito a todos aqueles que não trabalham em tempo integral.
4 - Ler, de Pierre Concialdi et Sophie Ponthieux, "Les bas salaires en France: quels changements depuis 15 ans?", ed. Dares, Premières synthèses n° 48.1, Paris, 1997, e "L'emploi à bas salaire: les femmes d'abord", Travail, Genre et Sociétés n° 1, Paris, 1999; ler também, de Pierre Concialdi, "Bas salaires et 'travailleurs pauvres'", Les cahiers français n° 304, Paris, setembro-outubro de 2001.
5 - Cifra de 1996, citada por Christine Lagarenne et Nadine Legendre em "Les travailleurs pauvres en France: facteurs individuels et familiaux", Economie et statistique n° 335, Paris, 2000. Da mesma maneira, ler, de Jean-Michel Hourriez, "Avoir un emploi et être pauvre. Bas salaires, sous-emploi et chômage, quels liens avec la pauvreté?", em France, portrait social 2001-2002, ed. Insee, Paris, outubro de 2001.

Sábado, 31 de Janeiro de 2009

ORKUT: Racismo tem divulgação disfarçada


Comentário: Matéria perdida na rede. Interessante.


Reporter SociaL.29/08/2005 17:32h

ORKUT SEM LEI - Racismo tem divulgação disfarçada

O controle de comunidades assumidamente racistas no Orkut vem ocorrendo com um certo sucesso. Diante da vigilância dos negros, ou mesmo da Justiça, elas são obrigadas a sobreviver com perfis falsos e duram poucos dias ou semanas. Mas o racismo prossegue a todo vapor no sítio com 6 milhões de brasileiros: ele aparece nas comunidades contra "manos" e disfarçado de brincadeira em comunidades que em tese não propagam a discriminação. Em muitos casos, o preconceito tem nome e sobrenome.

A carioca Alessandra Salles participa de uma discussão na comunidade Eu odeio a Preta Gil sobre "qual bicho ela parece". "Saca só o nariz na foto da comunidade, agora olhe a boca dela... na hora eu lembrei de um gorila", afirma. Vanessa Siqueira também participa e compara a cantora a um "macaco". A filha do Ministro da Cultura é comparada por 53 brancos, dois negros e quatro pessoas sem foto a inúmeros outros bichos, em comentários que reproduzem o rebaixamento histórico dos afrodescendentes à condição de animais.

Essa comunidade tem mais de 20.000 pessoas, quase o mesmo número da Anti-cotas Raciais. Um direito legítimo, o de ser contra as cotas. Mas que vira porta de entrada para avaliações como a do carioca Eduardo Chueri: "Na cultura negra balançar a bunda é legal. Se você é um negro preguiçoso, então é um cara maneiro e sangue bom. O dia que os negros começarem a pensar como japoneses, vão notar o como é fácil passar no vestibular."

Eles odeiam "manos"

Mas os racistas utilizam como maior recurso a criação ou utilização de comunidades contra "manos". Esse termo está ligado a jovens de periferia, em boa parte adeptos da cultura hip-hop, mas é utilizado pelos jovens de classe média em relação aos pobres e negros que, segundo eles, "invadem os shoppings". Nas fotos de apresentação dessas dezenas de comunidades aparece sempre um jovem negro. Algumas delas, como Mate um mano/plante uma árvore, pregam explicitamente a violência.

Em Eu odeio as Minas Mano, o paulista Fernando Rabello avalia: "O mais engraçado das minamano é quando elas vão sair e usam aqueles cabelos cheios de creme. Ô racinha pra ter cabelo ruim!" Michael Pires, que declara ter 19 anos, escancara, na comunidade com mais de 30.000 pessoas: "Sou preconceituoso, sim. E quero que todos os manos vão se foder."

Em uma mídia com 6 milhões de pessoas, o preconceito se espalha. Há comunidades com nomes como Manos estragam Sorocaba e Manos estragam Poços. Poços, no caso, é a mineira Poços de Caldas. Mas são os paulistas que estão à frente da discriminação no Orkut. Bauru, Rio Claro, São Carlos, Valinhos e Botucatu são outras cidades do interior paulista onde milhares de jovens declaram seu preconceito contra os "manos" e discutem "como acabar com eles". A comunidade sorocabana tem quase 2.000 membros.

Há um desejo recorrente de ver "os manos fora dos shoppings". Na verdade, mais do que isso. "Devíamos fazer que nem os nazistas", diz na comunidade Eu odeio os manos de shopping o título de um tópico postado por P. R. C. Junior, de Marília (SP). Ele não tem o nome divulgado aqui por aparentemente ter menos de 18 anos. "Fiquei pensando em como essa raça miserável é um soco na cara da sociedade... aí me veio na cabeça que eles podem ser o que está atrasando o Brasil, assim como Hitler pensou que os judeus estavam acabando com a economia alemã..."

O jovem prossegue em sua avaliação: "Mas no caso de Hitler ele estava errado... no nosso caso é verdade! Pense bem: são eles que assaltam, traficam drogas, picham muros, destroem patrimônio público e quando são pegos pela polícia somos nós que temos que pagar a estadia dos vagabundos na prisão. Imaginem se pegassem toda essa raça e começarem a jogar na câmara de gás? Sei que estou sendo utópico, mas seria uma bela solução." Nove outros internautas concordaram com Junior.

Influência do dono

Os moderadores influenciam diretamente o andamento das comunidades. A começar da escolha das fotos. Uma das descrições é repetida em vários fóruns. "Se você é que nem eu e quer exterminar essa raça entre na comunidade e discuta sobre esse lixo que são os manos", escreve o dono da comunidade Eu odeio manos. O dono do fórum BS- Black Service (em referência à expressão racista "serviço de preto") é o mesmo de Mate um mano/plante uma árvore.

Em Eu odeio o Alexandre Pires, o moderador avisa que ali não há espaço para racismo mas mesmo assim há várias tentativas nesse sentido – como um tópico na quinta-feira, onde o cantor, a exemplo de Preta Gil, é também comparado a um macaco.

Foi por ter supostamente chamado de "macaco" o jogador Grafite, do São Paulo, que o argentino DeSabato foi preso este ano após jogo no Morumbi. Em junho, o promotor Christiano Jorge Santos, denunciou em São Paulo Leonardo Viana da Silva, de 20 anos, por racismo praticado no Orkut. No seu caso, o perfil dizia: "Odeio preto". Segundo Santos, Silva confirmou ser racista no depoimento à promotoria. O crime praticado através de meio de comunicação prevê pena de reclusão de 2 a 5 anos, mais multa. Como ele fez quatro depoimentos racistas no Orkut, foi denunciado cinco vezes.

Segundo o Ministério Público, qualquer internauta pode ser punido.

Alceu Luís Castilho, Jéssika Torrezan e Lígia Ligabue

Lista de comunidades:

Eu odeio as "Minas Mano" - 31.323 membros – (Nº da comunidade 267420)

P.q.Pariu,eu odeio a Preta Gil - 20.167 membros – (Nº 79266)

Anti-cotas raciais - 18.031 membros – (Nº 40260)

Eu odeio mina q paga de mano - 6.556 membros – (Nº 1379753)

Eu não comeria a Preta Gil - 5.580 membros (Nº 92727)

Eu odeio os manos de shopping! - 3.532 membros – (Nº 774201)

Eu odeio mano & maloqueiro - 1.991 membros – (Nº1321197)

Manos Estragam Sorocaba! 1.836 membros – (Nº 902121)

Já arranjei briga com mano - 951 membros – (Nº 1326410)

Os Manos estragam Poços! - 930 membros – (Nº 1444511)

Eu odeio os manos de Bauru - 598 membros – (Nº 705014)

Eu odeio mano!! 565 membros – (Nº 665182)

Nós odiamos manos! - 553 membros – (Nº 879665)

Odiamos Os Manos De São Carlos - 484 membros – (Nº 1689532)

Mate um mano/plante uma árvore - 454 membros – (Nº 2866537)

Manos da Catedral... Sucks! (Botucatu) - 443 membros – (Nº 431265)

Odeio os manos do shops de Rc (Rio Claro) - 359 membros – (Nº 945736)

Eu odeio "Manos" - 325 membros – (Nº 866303)

Odeio os manos de Rolândia - 200 membros – (Nº

Odeio mano - 369 membros – (Nº 233749)

Eu odeio "Mano Fucker" - 279 membros – (Nº 701800)

Eu odeio mano - 240 membros – (Nº 1142216)

Seja um humano, não um mano - 217 membros – (Nº 4217930)

Os manos tomaram conta de TB (Telêmaco Borba) – 152 membros – (Nº 3273580)

Odeio os manos de Valinhos - 125 membros – (Nº 1854510)

BS – Black Service - 69 membros – (Nº 2421397)

Eu odeio os manos de Marília - 48 membros – (Nº 1980847)

Odeio os manos de Arapongas - 46 membros – (Nº 3602584)

Domingo, 11 de Janeiro de 2009

Sítio arqueológico descoberto em Angra por professora da UERJ será aberto à visitação

UERJ - 25/11/2008

O sítio arqueológico, descoberto pela professora Nanci Vieira, do Laboratório de Antropologia Biológica da UERJ, no início dos anos 90, na praia de Piraquara, município de Angra dos Reis, se tornará em museu e será inaugurado no início de 2009. O projeto é o resultado de uma parceria entre o laboratório, a Eletronuclear, administradora das usinas nucleares de Angra e responsável pela região, e a Faperj, que financia as bolsas dos 35 jovens que aprendem na prática os fundamentos da arqueologia e educação patrimonial.

A praia onde se localiza o museu é pequena, porém riquíssima em áreas de interesse histórico, como explica a professora: "Naquela área você tem um sambaqui – um sitio pré-colonial – sítios oficinas pré-coloniais, edificações do século XVIII, e uma fortificação do início do século XIX, tudo isso numa praia de 300 metros" – explica  Nanci. A fortificação instalada pelos portugueses fazia parte de uma rede responsável por vigiar toda a costa do Rio de Janeiro e enviar as informações à Corte por meio de sinalizações com bandeiras, como descobriu a professora em uma outra pesquisa na região.

Segundo Nanci, toda a área de Angra e Parati é rica em sítios arqueológicos ainda não descobertos, que precisam ser preservados. Este é um dos motivos pelos quais o projeto envolve os jovens moradores da região, inclusive indígenas, que aprendem sobre arqueologia e a importância de se preservar o patrimônio. "Os jovens passam a ser multiplicadores de conhecimento, ajudando a mapear e proteger as áreas de interesse arqueológico. Neste ano os bolsistas fizeram entrevistas com pessoas da região, o que permitiu que definíssemos algumas áreas onde serão feitos levantamentos sobre possíveis sítios arqueológicos" – explica a professora.

Um exemplo de importância da participação da comunidade na descoberta dos sítios arqueológicos é justamente a forma como a professora Nanci chegou até a praia de Piraquara. "Eu fui para a região de Angra, com o apoio de Furnas, em busca das aldeias canibais citadas pelo aventureiro Hans Staden em suas viagens pelo Brasil no século XVI. Lá eu encontrei um senhor que me falou de algumas 'pedras estranhas' na praia de Piraquara. Quando eu cheguei lá descobri que essas pedras eram, na verdade, polidores que os índios usavam para fazer suas ferramentas. Foi aí que eu encontrei e mapeei os sítios" – conta a professora.

O sítio-museu, que será aberto à visitação, está localizado na área de ocupação indígena pré-colonial, conhecida pelos arqueólogos como sambaqui, uma palavra de origem tupi usada para designar ocupações muito antigas de índios coletores de moluscos. Os interessados em fazer uma visita ao local devem entrar em contato com o centro de informações da Eletronuclear, responsável pela área de Piraquara, para agendar uma visita guiada aos sítios da região e aprender mais sobre essas fascinantes civilizações antigas.

Sábado, 10 de Janeiro de 2009

Pode ser uma "pessoa de cor"?

Divirta-se. Ou vomite.

Obs. Rodrigo Vianna é branco!


VIANNA: CLASSE MÉDIA NÃO QUER BABÁ "DE COR"

Atualizado em 24 de novembro de 2008 às 20:13 | Publicado em 24 de novembro de 2008 às 20:09


CLASSE MÉDIA NÃO QUER BABÁ "DE COR"

de Rodrigo Vianna, em seu blog

sexta-feira, 21 de novembro de 2008 às 13:10

Véspera do feriado da Consciência Negra. Minha mulher liga para uma agência de empregos, pedindo indicação de uma babá pra trabalhar em casa.


A coordenadora da agência, muito solícita, engata de primeira: "pode ser uma pessoa "de cor", ou a senhora tem alguma restrição?


Desculpe, mas muita gente que liga pra cá não quer babá "de cor", por isso eu tô perguntando".

Minha mulher disse que não tinha problema com isso, não. A moça do outro lado deu uma risada sem graça. Eu não dei risada quando minha mulher contou o episódio.

Achei patético. Essa é a classe média brasileira, pensei com meus botões. A mesma classe média que escreve livros - também patéticos - para "provar" que "Não Somos Racistas". Freud explica esse título na negativa.


Já reparou nas crianças que cometem uma traquinagem? Quando o pai chega perto, sem perguntar nada, a criança já se entrega: "não fui eu", "não fiz nada". É o famoso processo da negação. "Não Somos racistas"... Sei.

Um dos argumentos desse povo que diz não haver racismo no Brasil chega a ser hilariante: "racismo não pode haver, porque raça não existe; é um conceito equivocado, que não se sustenta biologicamente". Percebem a sutileza?


Como não existe raça, então não pode haver racismo. Pronto, está resolvido. Com isso, evita-se a discussão sobre preconceito, sobre nossa história de Escravidão, sobre a tradição de nossas elites que sempre trataram os negros como mercadoria.

Certa vez, troquei umas mensagens com esse personagem sinistro que, na direção do jornalismo da Globo, tenta provar sua tese de que "Não Somos Racistas".


Eu escrevi pra ele, reclamando de uma reportagem sobre racismo, que fiz para o Jornal Nacional , mas que nunca foi ao ar (já contei esse episódio, numa entrevista para o Marcelo Salles, no site "Fazendo Media" http://www.fazendomedia.com/novas/entrevista120407b.htm).


Travei com esse personagem sinistro da Globo, por e-mail, um pequeno debate sobre o tema do racismo. Tentei lembrar a ele as raízes históricas do racismo no Brasil...


O sujeito teve o desplante de afirmar que nem na época Colonial o problema era tão sério, já que negros, muitas vezes, podiam ser proprietários de escravos... É de doer!

Negros podiam ser proprietários de escravos (em casos raríssimos), desde que escondessem sua condição de negros. Era a estratégia do branqueamento, que já foi estudada por dezenas de pesquisadores. Esse é o tipo do argumento que tenta provocar confusão: "olha, tanto faz a cor, havia negro escravo, negro proprietário de escravos..." Tenha dó.

É gente assim que tenta derrubar as quotas para negros nas universidades, argumentando que isso - sim - provocaria "racismo".

Felizmente, essa foi uma das poucas áreas em que governo Lula avançou, sem medo. E avançou porque o movimento social pressionou. O fato é que as quotas se consolidam (apesar da gritaria dos "jornalistas" e "geógrafos" muito bem pagos para defender as teses de nossas elites), vão virar até lei nas Universidades Federais.

Para a gloriosa classe média brasileira, restará o papel patético (desculpem a repetição , mas é o adjetivo perfeito para esse povo) de estabelecer quotas ao contrário, vetando gente "de cor" para cuidar das criancinhas brancas do Leblon e de Higienópolis.